quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
OS 10 MANDAMENTOS DE IFÁ
1º Mandamento
Um sacerdote não deve enganar ao seu semelhante acenando com conhecimentos que não possui. E jamais dizer o que não sabe, ou seja, passar ensinamentos incorretos ou que não tenham sido transmitidos pelos seus mestres e mais velhos ou adquiridos de formas legítimas. É necessário o conhecimento verdadeiro para a prática da verdadeira religião.
Significado:
Quem abusa da confiança do próximo, enganando-o e manipulando-o através da ignorância religiosa, sofrerá graves conseqüências pelos seus atos. A natureza se incumbirá de cobrar os erros cometidos e isto se refletirá em sua descendência consangüínea e espiritual
2º Mandamento
O sacerdote deve saber distinguir entre o ser profano e o ser sagrado, o ato profano e o ato sagrado, o objeto profano e o objeto sagrado.
Significado:
Não se pode realizar rituais sem que se tenha investidura e conhecimento básico para realizá-los. Chamar a todos, é considerar a todos, indiscriminadamente, como seres talhados para a missão sacerdotal, o que é uma inverdade ou, o que é pior, uma manipulação de interesses. Da mesma forma que nem todas as contas servem para formar-se o colar de uma divindade (como as contas sagradas), nem todos os seres humanos nasceram fadados para a prática sacerdotal. Para ser um sacerdote são necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais. A simples iniciação de um ser profano, desprovido destes atributos básicos e essenciais, não o habilita como um sacerdote legítimo e legitimado. Da má interpretação e inobservância deste mandamento resulta a grande quantidade de maus sacerdotes que proliferam hoje em dia dentro do Culto. Observa-se a diferença entre “ser sacerdote” e “estar sacerdote”. Aquele que se submete à iniciação visando tão somente o status de sacerdote, jamais será um verdadeiro sacerdote. Estará sacerdote, cargo adquirido pela iniciação, mas jamais será sacerdote, condição imposta por sua vocação, dedicação, espiritualidade e desprendimento. Caberá ao sacerdote iniciador do neófito consultar Fá, com muito critério, para apurar se aquele noviço será realmente digno do sacerdócio
3º Mandamento
O sacerdote nunca deve desencaminhar as pessoas dando-lhes maus conselhos e orientações erradas.
Mensagem:
É inadmissível que um sacerdote se utilize do seu poder e do seu conhecimento religioso para, em proveito próprio, induzir ao erro aqueles que o cercam. Ao agirem desta forma, assumem a postura das aves noturnas que, nas trevas, saciam suas necessidades com o sacrifício e o suor alheio. Dar maus conselhos e orientações erradas é expor as pessoas aos perigos de energias maléficas e sem controle. Uma das mais importantes funções do sacerdote é orientar seu discípulo, conduzindo-o ao caminho correto, ao encontro da felicidade, de acordo com os ditames estabelecidos por seu destino pessoal e de seus ancestrais protetores.
Quem chega aos pés de Òrúnmìlá para consultar seu oráculo em busca de soluções, deve ser orientado pelo sacerdote corretamente, independente do interesse deste como olhador. A pessoa que chega com um problema deve ter seu problema solucionado e não vê-lo acrescentado de outros criados artificialmente com o fito de proporcionar a quem a consulta, vantagens financeiras ou possibilidade de conquistas e abusos sexuais.
4º Mandamento
Tudo deve ser feito de acordo com os ditames e os preceitos religiosos. A simples troca de uma simples folha pode ocasionar conseqüências maléficas ou tornar sem efeito um grande ritual da mesma forma que as folhas do Labá (Arágbà para os Nàgó) não são iguais às folhas de Ahoho (Akókò para os Nàgó).
Interpretação:
O sacerdote não pode, em nenhuma condição, utilizar-se de falsos recursos, fornecendo coisas sem validade religiosa como elementos de segurança ou de culto. Os procedimentos litúrgicos devem ser observados integralmente e a ninguém cabe o direito de fazer “isto” por “aquilo” quando em “aquilo” é que está a solução.
Aquele que utiliza de meios escusos e enganosos contra seus semelhantes, será culpado do crime de abuso de confiança. Aquele que usa de artifícios e mentiras contra as pessoas inocentes e de bom coração provoca o descontentamento de Òrúnmìlá e a conseqüente ira de Legbà.
Cada ser espiritual possui um nome individual, de acordo com a determinação de Yàvóvòdún. Da mesma forma, cada Legbà possui nome e identidade própria, assim como atributos específicos. É inadmissível, portanto, que este mediador tão sagrado e importante dentro do culto, seja assentado e entregue de maneira irresponsável, e que aqueles que a recebem permaneçam ignorantes do seu nome, qualidade, forma de tratamento e especificidade de função.
“Òrúnmìlá é aquele que nos olha com amor, não façamos por onde o mesmo possa nos olhar com desprezo”.
5º Mandamento
O saber é fundamental para quem quer fazer. Para tanto, é necessário o poder, que só o conhecimento pode outorgar.
Interpretação:
Um sacerdote não pode proceder a liturgias para as quais não seja habilitado através do processo iniciático ou cuja prática desconheça ou domine apenas parcialmente. Um sacerdote não deve ostentar uma sabedoria que na verdade não possua. Procurar saber não avilta, mas, pelo contrário, exalta o ser humano. O saber é condição básica para que se possa fazer. E todo ritual deve ser feito integralmente e com legitimidade total. Se houver dúvidas sobre algum procedimento, deve-se pesquisar profundamente sobre ele. Cabe ao sacerdote ensinar tudo o que sabe àqueles que o cercam e que nele confiam. A sonegação de ensinamentos corretos e completos implica na responsabilidade da prática de suicídio cultural. Da mesma forma, buscar orientação em quem sabe nada tem de humilhante e enaltece tanto àquele que busca como ao que fornece a orientação. A verdadeira sabedoria consiste na consciência da própria ignorância. Não existe ser neste mundo que saiba tudo!
“Deus não deu ao ignorante o direito de aprender sem antes tomar de quem sabe a obrigação de ensinar”
Humildade e desprendimento são atributos indispensáveis de um verdadeiro sacerdote.
Interpretação:
Um sacerdote não deve ser vaidoso de seus poderes, mas consciente deles. E não deve agir somente visando o próprio benefício, existe para servir e não para ser servido. A vaidade transforma o homem fraco de espírito num pavão que faz questão de exibir sua bela plumagem sem a consciência de que é a sua beleza que, despertando a atenção de terceiros, irá provocar a sua morte. Num Fádù (caminho de Ifá) encontramos narrativas que falam do exibicionismo do pavão que, ostentando a beleza de sua plumagem, atrai para si a atenção de todos que, depois de sacrificá-lo, transformam suas penas em belos leques e adornos. O verdadeiro sacerdote, o eleito pela divindade, não se preocupa em exibir seu poder nem o seu saber em disputas vãs e inconseqüentes. Acumula em si uma grande carga de sabedoria que transmite com dedicação a quem merece saber. O exibicionismo é um dos maiores defeitos num ser humano e inadmissível a um sacerdote. Já dizia o velho jargão: “Num burro carregado de açúcar, até o suor é doce”.
É assim que, aos olhos do sábio, parecem os exibicionistas: “burros carregando açúcar”.
7º Mandamento
As boas intenções devem prevalecer acima de tudo. A casa das divindades é o templo onde a iniciação é obtida.
Interpretação:
A iniciação não pode ser motivada por interesses que não sejam puramente religiosos. As verdadeiras intenções do iniciando devem ser cristalinas como a água pura. E desprovidas de qualquer outro objetivo que não seja servir à humanidade. Querer iniciar-se no culto por simples vaidade, para obter status social ou ostentar títulos sacerdotais é profanar o sagrado. Aquele que profana o sagrado tabernáculo das divindades, movido por qual for o motivo, pagará com duras penas o sacrilégio praticado. O conhecimento corresponde às responsabilidades que nem todos estão preparados para assumir. O conceito mais amplo simboliza a atitude de um predador que esconde suas garras procurando adquirir a confiança de sua vítima para ter base de agir no momento mais propício aos seus objetivos. A mesma responsabilidade assume aquele que inicia pessoas que não possuam os requisitos básicos exigidos para tal, visando aí, a simples vantagem financeira.
É muito melhor errar por não saber do que saber e persistir no erro.
8° Mandamento
A pena chamada Akpenin (ekodidé para o povo Nàgó) é um dos símbolos mais sagrados dentro do culto e, por este motivo, jamais deverá ser aviltada.
Significado:
Os sagrados fundamentos não podem ser usados com objetivos vãos. Os tabus devem ser integralmente observados sob pena de severas conseqüências. O sacerdote deve submeter-se de bom grado às interdições impostas por seu Fádù ou Odù pessoal, assim como aos tabus de sua divindade protetora. A observância destes ditames está diretamente ligada ao estado de submissão às divindades cultuadas. A obediência total às orientações de Fá conduz o homem à plenitude das bênçãos. Utilizar-se dos sagrados conhecimentos de forma leviana corresponde a profanar o sagrado. Não se deve utilizar o conhecimento para prejudicar a quem quer que seja. A prática do mal, invariavelmente, apresenta resultados mais rápidos, mas conduz a caminhos tortuosos que não têm volta. Da mesma forma, aquele que se utiliza deste conhecimento visando unicamente auferir vantagens econômicas, está em desacordo com os sagrados ditames e será responsabilizado por isto.
“Tornar vil um símbolo de iniciação como o Akpenin” é o mesmo que usar coisas sagradas com objetivos condenáveis e fúteis.
9° Mandamento
A sujeira e a falta de higiene são incompatíveis com o rito.
Significado
Os Elementos sagrados, indispensáveis ao ritual, hão de ser sempre muito puros e limpos. Da mesma forma, tudo deve ser limpo, os instrumentos, os ambientes, os assentamentos e principalmente, as atitudes. É inaceitável a falta de limpeza e de higiene em qualquer aspecto, quer seja físico, ambiental ou moral. O sacerdote deve ser escrupuloso com tudo. Seus instrumentos litúrgicos, os altares das divindades cultuadas, seus trajes e seu corpo.
Tudo aquilo que antecede a um rito e que a ele faça referência, deve ser realizado com limpeza e religiosidade.
Da mesma forma que o ritual deve ser cercado de cuidados de limpeza, a confecção das comidas e oferendas deve seguir os mesmos princípios. Preparar as comidas ritualísticas é também um rito e deve ser realizado em total circunspeção e concentração religiosa. Durante a preparação das ofertas e comidas ritualísticas a atitude de quem dela participa deve ser a mesma de quem participa do ritual em si. É inadmissível que, neste momento sagrado, as pessoas estejam consumindo bebidas alcoólicas, falando coisas vulgares, discutindo, brigando ou tentando exibir seus conhecimentos, humilhando a quem sabe menos. A postura será sempre sacerdotal, o silêncio e a concentração devem ser mantidos e, ensinar a quem não sabe ou a quem sabe menos, é uma obrigação sagrada.
10° Mandamento
Não se deve retirar a bengala de um cego. (A bengala de um cego substitui seus olhos e indica os obstáculos que se interpõem em seu caminho).
Significado:
O sacerdote não pode prevalecer-se de sua carga de conhecimento para humilhar ou confundir a ninguém. O sacerdote há de ter o mais profundo respeito pelos que sabem menos. Ninguém tem o direito de descaracterizar o que os outros sabem e acreditam. Abalar a fé de quem sabe pouco ou nada sabe, é retirar a bengala de um cego, deixando-o sem qualquer orientação nas trevas em que caminha. Uma das mais importantes missões do sacerdote é ensinar e orientar. Muitas vezes surgem pessoas que nada sabem e julgam saber. É neste momento que o sábio aflora no sacerdote e a orientação correta e o ensinamento certo são passados, com doçura, sutileza e humildade, sem melindrar a quem os recebe e sem provocar confusões em sua cabeça. Tudo deve ser ensinado com clareza e lógica. O Sacerdote, no exercício de seu sacerdócio, assume também a missão de mestre
rmanecer, sempre, impecavelmente limpos. Nenhum Vòdún admite a sujeira, seja ela física ou moral.
A INCORPORAÇÃO
A incorporação vem se tornando ao longo do tempo um assunto que ninguém
aborda, muitas vezes por medo de falar a verdade, por medo de ferir aos
outros e na grande maioria das vezes medo de saber que a verdade vai
contra aquilo que vem praticando há anos.
Para um médium ter uma
boa incorporação é necessário que a energia do Òrísà ou entidade tome o
corpo do médium em 80%, sendo assim ainda sobrariam 20% que fica
responsável pelos órgãos vitais do ser humano, ou seja, a respiração, a
visão, a audição e os movimentos, que são utilizados pela energia
conduzida. Em uma incorporação que fica 50% a energia conduzida (Òrísà
ou Entidade) e 50% a energia condutora (Médium) é notório que esse
médium não está tendo uma boa incorporação. É aonde entra a
interferência do médium, falando aquilo que acha correto ou aquilo que
tem vontade de falar e por alguém motivo não fala.
É fato que
ninguém se incorpora totalmente com Òrísà, já que seria impossível, pois
não há ser humano que seja puro o suficiente para que um Òrísà use seu
corpo. A energia do Òrísà depositada no corpo de um médium não é a total
energia de um Òrísà. Um filho de Iyemonjá tem forças para segurar as
águas do mar? Um filho de Òsún tem força para segurar as águas do rio?
Um filho de Iyansà tem força para segurar um vendaval? A resposta para
todas as perguntas é não, então uma incorporação com 100% da energia do
Òrísà seria como um filho de Iyansà segurar o vendaval. Cada médium
recebe a quantidade de energia que seu corpo suporta para preencher os
80% que ficam disponíveis para o Òrísà.
Existem regras básicas
para que um médium tenha uma boa incorporação. Uma pessoa que vestirá
seu Òrísà em uma festa domingo, sem sombra de dúvidas deve ter um
preparo. Se essa pessoa sai no sábado, vai para uma boate, bebe a noite
toda, tem relações sexuais, e chega em casa às 15:00hrs para vestir o
Òrísà às 18:00hrs, fica notório que essa pessoa não receberá nem a
metade da energia que deveria receber. Porém se essa mesma pessoa
ficasse em casa, repousando, essa pessoa receberia a energia que
necessita.
Há outro fator na incorporação que é importante ressaltar, que é a força
da energia recebida. A energia perde força conforme o tempo, um sirè
dura geralmente em torno de 6 horas, dentro dessas 6 horas o Òrísà de
uma pessoa que ainda é Iyawò, passará várias vezes, é claro que quando
esse Òrísà passar pela última vez no sirè já não será mais com a mesma
força que passou da primeira vez, isso ocorre devido ao corpo físico da
energia condutora ou médium ficar cansado, com a fraqueza do corpo do
médium a energia do Òrísà também vai perdendo força.
Quando uma
pessoa está virada com Òrísà, as pessoas afirmam que a mesma não pode
sentir dores ou necessidade de água, que é uma verdadeira ignorância.
Camuflado por baixo da energia está um ser humano que necessita de água,
as dores de fato ficam mais neutralizadas, isso acontece já que os
sinais vitais do médium estão em apena 20%.
Em uma festa de Esú
muitos incorporam visando a bebida que tem para beber, esses médiuns
após 20 minutos de festa, quando já beberam no mínimo 3 copos de
champanhe, cachaça ou qualquer outra bebida a força da entidade já cai,
justamente pelo fato do médium estar visando somente a bebida, a partir
de então o médium passa a influenciar a entidade, até que a entidade vai
se afastando cada vez mais, porém o médium que só visa a bebida
permanece dizendo que está incorporado, aonde fala coisas que magoam
pessoas, e perde ainda mais a credibilidade aos olhos das pessoas.
É
uma covardia do médium que utiliza uma entidade para falar aquilo que
lhe convém. Entidades essas muitas que muitas vezes vem a Terra com o
propósito de fazer o bem, de prestar uma caridade e ajudar aqueles que
necessitam.
Para uma boa incorporação basta a boa vontade e a concentração do médium.
mt axé a todos os irmãos em religiosidade.
O por q do mariwo no portão de uma casa
Existiu um menino que perdeu seus pais cedo e ele saiu ao mundo para ser um pequeno lavrador,ele tinha um dom de plantar até em terras sem vida.Um dia ele chegou em uma fazenda e pediu ao dono que se podia ali plantar e no final da colheita ele dividiaria os lucros e o fazendeiro aceitou...porem quando chegou a colheita o fazendeiro vendo que era uma rapaz novo e sem ninguem por ele resolveu ficar com tudo e mandou seus capatazes expulsa-lo dali..e assim o menino perdeu sua parte.Chegando a outra fazenda a história se respetiu...chegando a outra a mesma coisa e assim foi até sua velhice...um dia cansado de sofrer perdas e humilhações ele partiu para dentro de uma floresta para morrer em paz,sem eira e sem beira...e ao anoitecer cansado de andar avistou uma casa de sape bem simples e nela bateu a porta e foi atendido por um outro velho que lhe indagou o que fazia ali e ele pacientemente explicou tudo e o dono da casa mandou que ele entrasse e repousasse dando lhe alimento...conversaram e foram dormir.Na manhã seguinte disse o dono da casa,vou lhe fazer rico e o velho desiludido desconfiou mas nada disse.Saia agora e me traga um cachorro,um inhame,uma cabaça de vinho de palma e várias folhas de palmeira iji ope e o velhote como sempre obediente saiu e foi procurar o que lhe haviam pedido.Logo a frente ele achou o cachorro,o inhame e a cabaça cheia de vinho e pensou:estou com sorte!Mas andava,andava e andava e não encontrava a folha do dendezeiro e apos andar muito avistou um grande gramado e um grande dendezeiro,amarrou o cão ao seu tronco e nela subiu se machucando e sangrando e tirou várias folhas e desfiou para que ficassem mais bonitas ao se preparar para ir embora eis que chega um homem de ferro com um grande facão(Ogun) e lhe chama de ladrão,pois roubara as folhas de sua árvore e o velho tremendo explica desde sua infancia até aquele momento e pede que não o mate porque ele não era mau e nem ladrão e Ogun ouviu tudo atentamente e rápido o velho disse:
Vou assar este cahorro e esse inhame para o sr comer,tem aqui vinho para o sr beber e vou enfeita-lo com este mariwo desfiado meu grande senhor e Ogun achou interessante a bondade e humildade do velho e contente recebeu toda aquelas coisas....e apos tudo disse lhe Ogun:Velho tome estes mariwo e onde lhe atenderem bem peça aos donos das casa se vc pode pendura-los no portão não deixe de fazer isso e vá,vc está livre!E o velho partiu para rumo ignorado e algum tempo depois ele chegou em uma cidade muito rica e poderosa e com fome e sede bateu em uma porta para pedir comida e lhe deram com carinho e ele em agradecimento pendurou ali o mariwo e em outras casas lhe trataram mau e nada fez e assim era...um dia estando dormido em local proximo a cidade(no mato) foi acordado com dois guerreiros que queriam mata-lo,mas um dels disse:Não antes vamos leva-lo ao nosso general e o arrastaram até omde se encontrava o general e ao chegarem na praça central da cidade era Ogun que ali estava e ao ve-lo dise:Larguem este velho ele é meu amigo e o velho tremeu.Disse Ogun:Velho vc me fez vencer esta cidade onde me camuflei com mariwo que vc inventou e foi fácil entrar nela sem ser visto por isso eu a destruir toda!Mas o velho correu os olhos ao redor e viu que muitas casas estavam de pé e disse meu senhor feito de ferro,ainda há casas de pé e respondeu Ogun eu sei,onde eu vi o mariwo pendurado sabia que ali eram pessoas do bem.......e nada fiz contra quem ali morava porque sei que lhe trataram bem...tome estas riquezas e seja Rei nesta cidade e a governe com as pessoas de bem e viva rico e feliz.E Ogun partiu deixando um rei muito rico e poderoso para tras e foi para outras cidades vence-las!Onde Ogun passa com seu Exercito e ve o mariwo logo diz:Aí mora gente do bem,vamos embora!E nesta casa nada acontece..
áfrica
A palavra África deriva de AVRINGA ou AFRI, nome da tribo Berbere que na
antiguidade habitava o Norte do continente.
Os berberes são descendentes dos antigos Númidas que habitavam a região
chamada Numídia, entre o país de Cartago e actual Mauritânia, conquistada
pelos romanos ao rei Jugurta, cuja capital era a cidade de Cirta, hoje
Constantina, na Argélia.
O nome África começou a ser usado pelos romanos a partir da conquista da
cidade de Cartago para designar províncias a Noroeste do Mar Mediterrâneo
africano, onde hoje situam-se a Tunísia e a Argélia. Recorda-se que Cartago
foi uma das famosas cidades de antiguidade da África. Foi fundada no séc.
VII a. C. pelos Fenícios, sob a direcção da Princesa Tiriana Dido ou Elisa,
filha de Muto, rei de Tiro, (actual cidade de Sur no Líbano) que após a
morte do seu marido Siqueu, fugiu para a África e fundou a cidade de Cartago
numa península, perto da qual se encontra hoje a cidade de Túnis, capital da
Tunísia. Em pouco tempo, Cartago tornou-se capital de uma poderosa república
marítima, substituindo-se a cidade de Tiro no Ocidente. Criou colônias na
Sicília e na actual Espanha. Enviou navegadores ao Atlântico Norte.
Entretanto, as colônias cartagineses na Sicília suscitaram vistas ambiciosas
dos romanos que cultivaram uma ferrenha rivalidade que culminou com as 3
guerras chamadas Púnicas.
O que é o Candomblé?
É um complexo religioso formado, basicamente, por tres etnias. Os Banto, os Jeji, os Nago. A configuração da estrutura religiosa do Candomblé respeita a risca a estrutura das etnias citadas, ou seja:
Um Deus criador;
Um panteão de Deuses menores;
Culto ancestral;
Culto ao individuo;
Oraculo;
Medicina;
Acredito que aí está a primeira grande semelhança entre o povo do Candomblé.
Uma vez definida as semelhanças entre as tres etinias matrizes, consequentemente podemos nos considerar "parentes" no que tange a amalgama denominada Candonble.
Após identificar o que nos une, entramos em nossa pertença e la começamos a nos localizar do ponto de vista do dito purismo,
entendendo que ser puro esta relacionado a vc conheçer a estrutura matriz que deu origem a sua linhagem, em meu caso o Seja Hunde.
Assim, falando dos Jeji e, eu como membro dessa etinia, devo saber que existem "sub-etinias", a saber: Os Mahi, Podaba, Modubi, etc. Notem que tal informação é muito importante, pois, apesar de Jeji, logo cultuadores de Vodun, as sub-etnias citadas tem muitas semelhanças pelo motivo maior ja citados, ou seja, ser cultuador de Vodun. Porem, a forma com a qual os Mahi estruturaram seu culto é diferente da forma que o Podaba, por exemplo.
Assim com base no exposto até o momento posso resumidamente afirmar: Sou Candomblecista, Jeji e Mahi.
Notaram que aí começo a me localizar dentro de minha etnia?
Notaram tambem que esta estruturação por si me impediria de apontar como errado certas questões de outra Sub-etnias?
Apartir deste ponto, entramos em territórios senssiveis, por exemplo, desinencia, genealogia, etc e isso é assunto interno e só diz respeito a nossas respectivas pertenças (etnia).
Como se diz popularmente: "roupa lavamos em casa!"
Acrescento a lista no inicio do texto a culinaria citando como exemplos alimentos pra la de universalistas, como por exemplo:
Quiabo,
Farinha,
Obí;
Inhame;
entre outros.
Desta forma a lista passaria a ser:
Um Deus criador;
Um panteão de Deuses menores;
Culto ancestral;
Culto ao individuo;
Oraculo;
CULINÁRIA;
Medicina;
FAZER O SANTO ERRADO:MITO OU REALIDADE ??
É muito comum ouvirmos de algumas pessoas, na minha mais humilde
opinião, o impropério de que tiveram seu “santo” feito errado. Como tal
fato pode vir a ocorrer se antes da iniciação (feitura) inúmeros
procedimentos são realizados? Como: o jogo de búzios (onde o Orixá
reponde), o bori, o bolonan, as matanças, entre outros que
não precisam ser citados aqui. Além disso, no dia da saída, um outro
zelador, geralmente de fora da casa, é chamado para tirar o nome do
Orixá recém-nascido e o apresenta para a comunidade do ilêou kue e etc.... Quando isso
acontece, todos os rodantes da casa viram nos seus Orixás e os não
iniciados bolam. Independente a todos esses procedimentos que são
realizados até a apresentação do Orixá a comunidade do ilê, ainda temos
zeladores que insistem em afirmar que o santo de fulano foi feito
errado. Algumas pessoas passam por certas dificuldades mundanas
(desemprego, frustrações amorosas e financeiras) e não hesitam em dizer:
Foi porque fiz o “santo” errado. Pior, se submetem ao julgo do zelador,
e novamente lá estão elas fazendo o "santo" de novo. Algumas ainda
yawos, outras já ebomis. O que se faz com o Orixá nascido, seu
fundamento, seu otá, seu assentamento, o nome que ele deu? Tudo isso
deixa de existir? Gostaria de ler os “posts” dos demais membros, pois
aprendi que santo feito não se desfaz. É possível desfazer um "santo"
para fazer outro? Onde estava o verdadeiro Orixá/vodun que não respondeu na
hora devida. E o zelador que fez o "santo" errado? Devemos processá-lo
por dano moral e material? Afinal, fazer "santo" hoje não é pra quem tem
"santo" ou quem quer, mas sim pra quem pode. Conto com a colaboração de
todos na elucidação de mais um questionamento, pois hoje é muito comum
as pessoas estarem escolhendo qual Orixá/vodun elas querem raspar. Com
dinheiro tudo pode? Será mesmo verdade? Será que o dinheiro é mesmo
capaz de comprar cargos em determinadas casas de candomblé e mesmo o
Orixá a ser raspado e sua qualidade? Axé!
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
NANÃ BURUKU, MATRIARCA AFRICANA E SUMA-SACERDOTISA
NANÃ, A DEUSA DA VIDA E DA MORTE
Nanã é um orixá feminino de origem daomeana, adotada da África que representa o dogbê (vida) e a doku (morte). Ela acolhe em seu ventre os ghedes (mortos) e os prepara para o leko (renascimento). Essa dualidade é representada por Nanã que personifica os pântanos. É neles que a mistura da água (vida) e da terra (morte), formando a lama, existe um portal entre as dimensões dos vivos e dos mortos. O pântano ou a lama, foi o local escolhido por Nanã para ser sua residência. Entretanto, para haver barro ou lama, tem que haver chuva, Nanã passou também a reger a chuva.
Nanã é conhecida por vários nomes, dependendo da região e do dialeto, mas em Dahomey (hoje Benin) na cidade de Domê onde está localizado seu principal templo, ela é conhecida como Nanã Buruku . Ela está fortemente ligada ao elemento terra e é chamada de "Senhora dos Pântanos", assinalando-a como uma Grande Mãe que é responsável pelo sopro da vida e conseqüentemente a morte.
Nanã sempre conduz os seres humanos com muita seriedade, justiça e determinação. Seus cânticos são súplicas para que a morte seja mantida afastada e que a vida seja preservada.
Sendo a personificação da "lama" ou da "chuva", Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também, freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura (período neolítico).
MITOLOGIA
Nanã de origem daomeana, foi incorporada há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo do Dahomey (atual República do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.
Nesse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continuou sendo o pai de quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.
Muitas pesquisas apontam ainda que os iorubas começaram a ter um conceito de Deus Supremo antes inexistente, e que esse conceito pode ser conseqüência da influência dos maometanos do norte da África sobre a população negra mais próxima. Assim Nanã assume, como outros Orixás femininos, o conceito de maternidade como função principal.
É neste contexto, que Nanã apareceria como a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omulu (ou Obaluaê, orixá da varíola) e Oxumarê (orixá do arco-íris).
E teria tido uma filha, Ewá, nascida de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e Orunmilá, conforme o mito.
NANÃ NO BRASIL
Aqui no Brasil, os escravos africanos introduziram com muito êxito suas divindades, como a Deusa Nanã, Oya, entre outras, nas religiões como o candomblé, a umbanda e o batuque. Essas religiões incluem a possessão por parte dos deuses. Quando Nanã se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba!
SEUS INICIADOS
Seus sacerdotes e sacerdotisas são experientes à prática da medicina através das ervas, pois Nanã é detentora do conhecimento do uso terapêutico delas (ervas). Mas a Deusa explica ainda, que além do uso terapêutico das folhas e de alguns produtos animais, as doenças podem ter origem espiritual e portanto, requer tratamento nesse sentido. Mas, qualquer que seja a origem da doença, se a pessoa enferma recorrer à Nanã, obterá o remédio curador.
Muitas mulheres recorrem à essa Deusa quando não conseguem engravidar e Nanã ensina prontamente a mistura de ervas que deve tomar, assim como os "ebós" e oferendas que devem ser feitos. Caso sejam atendidas, é costume na África, em homenagem à Deusa, acrescentar ao nome da criança a palavra "nanã". Todos seus sacerdotes e sacerdotisas também usam na frente do nome esse prefixo.
O culto de iniciação dos "filhos" de Nanã requer uma série de cuidados especiais, tanto aqui no Brasil como na África. Durante um período é necessário abster-se de sexo, bebidas alcoólicas, qualquer tipo de droga ou vício, pelo menos por 2 meses antes. Nesse período são realizados vários "ebós" na casa do santo.
Na África as mulheres menstruadas são impedidas de entrar em seu templo ou fazer comida de santo. Nanã fala que a bogami (menstruação) é um sangue impuro e diz para as mulheres não cozinharem para seus maridos quando estiverem menstruadas. Aqui vemos claramente traços de um período muito arcaico (neolítico) em que o sangue da menstruação ainda era considerado impuro.
NANÃ E HÉCATE
Nanã é também uma Deusa da Lua Escura que muito se assemelha a Hécate nas funções de regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida e da entrada nos caminhos árduos da transformação. A nível psíquico, essas passagens não podem ser eliminadas do curso normal da vida.
Nanã, assim como Hécate é a Deusa Terra primordial que dá nascimento às sementes e acolhe em seu seio os mortos. Tanto pode dar vida como a morte, seqüências da mesma realidade. É ainda, Dona da sabedoria e da justiça, que vem da natureza e a sua lei é implacável.
Nanã o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro, que é feito com palitos de dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. O sincretismo de Nanã com Sant'Ana, avó maternal de Jesus, e padroeira dos professores, reforça a impressão de que ela é muito antiga e que sua chegada ao Brasil foi anterior à dos Yorubas.
A Deusa tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, também pertencem a Nana.
Entretanto, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nana é o "grão", pois ela possui o domínio da agricultura e todo "grão" tem que morrer para germinar.
MITOLOGIA
LENDA 1 (Mitologia Fon)
Na mitologia Fon, Nanã Buruku (ou Buluku) que deu nascimento ao gêmeos: Lisa e Mawu. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos. Eles eclipsaram várias vezes e tiveram no total sete casais de gêmeos (sempre um masculino e o outro feminino).
Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.
Com o nascimento desses filhos, Nana criou a dualidade que daria o equilíbrio ao mundo e aos seres viventes.
Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Já Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.
Os fons, ao chegarem no Brasil, eram chamados de "Jejes", implantaram aqui o seu culto, baseado na rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Sua entrada no em nosso país ocorreu em meados do século XVII.
Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).
Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.
NANÃ BURUKU
Nanã Buruku está associada com as Onze Energias cósmicas e é íntima delas compreendidas ma religião da Umbanda. É denominada como a "Avó de todos os Orixás". Nada acontece sem que ela tenha conhecimento, sempre presente, desde a criação incessante do universo até o desenrolar contínuo da atividade existencial de todos os seres e elementos que compõem o organismo vivo do nosso planeta. Soma-se com outras Energias para, juntas, comporem a forma mais sutil e perspicaz orixá: Oxumaré que personifica a curva do arco-íris.
Na Umbanda, Nanã é configurada pelos fiéis e "filhos de cabeça" como sendo fisicamente uma senhora sempre curvada pelo peso das eras e cujo rosto nunca é visto, porque está sempre encoberto. Sua imagem está projetada na figura de um devoto que canta e dança em seu louvor, mimeticamente, como se embalasse uma criança. Outras vezes com as mãos juntas como se socasse um pilão. Sua postura em muito se parece com o orixá Omolu com o qual parte e reparte suas próprias vibrações preferenciais e idiossincrásicas.
É conhecida também por: Bukuú (Togo), Naná Buluku (Benin, ex-Daomé), Borokô (candomblés de caboclo), Tobossi (fantiashanti), Kerê-Kerê (Angola e Congo) e mais as variantes Naná, Nanã, Nanã Buruquê, Buruku, Ananburuquê, Anaburuku, Naná Buku, Naná Brukung e, na língua yoruba como Nanã Buruiku.
LENDA 2
Dizem que quando Olorum, o ser Supremo, encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Oxalá tentou vários caminhos.
Tentou fazer o Homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o Homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o Homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o Homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.
Mas tem um dia que o homem tem que morrer.
O seu corpo tem que voltar a terra, voltar a natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final tudo o que é seu.
Essa lenda descreve a natureza de Nanã como a Grande Mãe de onde tudo nasce e tudo retorna.LENDA 3
Essa terceira lenda conta que Nanã foi conquistar o reino de Oxalá e acabou sendo conquistada por ele. Entretanto, o deus amava muito sua esposa, Iemanjá, e jamais se envolveria com Nanã. Essa então, o embriagou e o seduziu, engravidando. Desse ato adúltero nasceu Obaluiaê, uma criança muito feia e deformada que foi abandonada no mar. Iemanjá o encontrou meio morto e todo mordido pelos peixes e o cuidou até que ficasse curado. Para esconder as cicatrizes que permaneceram em seu corpo, ele foi coberto de palha. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre sério e até mal-humorado.
Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada. Obaluaiê, triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas.
Durante este tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca. Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.
Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a Deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando desgraças aconteçam aos homens.
Essa lena nos aconselha a nunca negar auxílio, qualquer que seja, às pessoas que nos procuram. Além disso, nos diz para termos esperança, pois "não há mal que sempre dure.." e sempre há um recomeço, mesmo após um grande e penoso sofrimento.
LENDA 4
"Nanã era esposa de Ogum e ocupava o cargo de juíza no Daomé. Só julgava os homens, sendo muito respeitada pelas mulheres que eram consideradas Deusas.
Ela morava numa bela casa com jardim. Quando alguém apresentava alguma reclamação sobre seu marido, ela amarrava a pessoa numa arvore e pediu aos eguns para assustá-la.
Certa noite, Iansã reclamou de Ogum e ele foi amarrado no jardim. A noite, conseguiu escapulir e foi falar com ifá. A situação não podia continuar e, assim, ficou acertado que oxalá tiraria os poderes de Nanã. Ele se aproximou e ofereceu a ela suco de igbin, um tipo de caramujo. Ao beber o preparado, Nanã adormeceu. Oxalá então vestiu-se de mulher e, imitando o jeito de Nanã, pediu aos Eguns que fossem embora de seu jardim para sempre.
Quando Nanã acordou e percebeu o que Oxalá tinha feito, obrigou-o a tomar o mesmo preparado de igbin e seduziu o orixá. Oxalá saiu correndo e contou para Ogum o que havia acontecido. Indignado, este cortou relações com Nanã. E é por isso que nas oferendas a Nanã não é usado nenhum objeto de metal.
Uma outra lenda registra que, numa reunião, os orixás aclamaram ogum como o mais importante deles e que Nanã, não se conformando em ser derrotada por ele, assumiu que não mais usaria os utensílios de metal criados pelo orixá guerreiro (escudos e lanças de guerra, facas e setas para caça e pesca). Por isso, que ela não aceita oferendas em que apresentem objetos de metal."
(Lenda retirada do portal http://www.orixas.com.br/)
Essa lenda, vem de encontro à tese de alguns historiadores que afirmam que a Deusa Nanã é anterior a Idade do Ferro.
DISPUTA ENTRE NANÃ BURUKU E OGUM
(Segundo Pierre Verger)
"Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda sempre à frente dos outros Imalés.
Um dia eles vão a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre os seus poderes. Eles falam muito sobre Obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam muito sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exu:
-"Ah! É um importante mensageiro!"
Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem:
-"É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!"
Nanã Buruku contesta, então:
-"Não digam isso. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?"
Os demais orixás respondem:
-"É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar os animais".
Nanã concluiu que não renderá homenagem a Ogum.
-"Porque não haverá um outro Imalé mais importante?"
Ogum diz:
-"Ah!Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça."
Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem por muito tempo.
Ogum perguntando:
-"Você pretende que seja dispensável?"
Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes.
Ogum diz então:
"Muito bem! Você vai saber que sou indispensável para todas as coisas".
Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ele não utilizará, absolutamente nada, fabricado por Ogum e, ainda assim, poderá tudo realizar.
Ogum questiona:
-"Como você o fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos".
Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para esquartejá-lo. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não se pode utilizar faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã".
(Lenda retirada do livro "Lendas Africanas dos Orixás" de Pierre Fatumbi Verger, págs. 62-64.)
DEUSA DA VIDA, DA MORTE E DO RENASCIMENTO
Nanã é uma Deusa que se inseri no período Neolítico ou até antes dele, onde não existe distinção alguma entre a Deusa que atrai a vida e a que atrai a morte, mas ambas se experimentam como uma unidade, através da Grande Mãe que engloba a totalidade da vida e da morte. A Deusa transforma a experiência da morte em como o renascimento à outra dimensão.
O período Neolítico foi uma fase de descobrimentos e o resultado disso foi uma nova relação com o universo. Foi nesse tempo que a humanidade compreendeu e passou a participar dos misteriosos processos de crescimento. Com a compreensão que certas sementes podiam ser convertidas em trigo e depois transformados em pão, e que certos animais vivendo perto das casas, poderia prover-lhes de leite, carne, surgiu um novo espírito que cooperação consciente entre os seres humanos e seu mundo. A vida do cosmos se converteu em uma história que incluía o homem como um de seus personagens.
Os povos deste período não puderam de realizar uma analogia de suas vidas com as das sementes que, plantadas na terra, incubavam e voltavam a emergir como grão verde ou dourado. Os rituais que evocavam o nascimento, que chorava a morte e que celebravam o renascimento da raiz mostra o quanto era vital essa analogia para a imaginação humana, pois situava a regeneração como o núcleo da vida.
A fonte secreta da vida estava agora escondida nas profundezas da Terra (Útero da Deusa). Os seres humanos agora nascem dela, se alimentam dela e são acolhidos por ela.
As inumeráveis formas de cerâmica neolítica revelam o alcance imaginativo dos povos, que refletiam sobre o mistério do nascimento associando-o ao mais amplo mistério do nascimento de toda a vida mediante o "Corpo" da Deusa. As imagens da Deusa a mostram como o portal ou umbral através da qual penetra vida ou abandona esse mundo.
Toda a Grande Mãe, segundo Carl Jung, personifica o nosso inconsciente, portanto, um aspecto gerador, protetor e positivo, apesar do seu lado devorador e negativo. Todo o tipo de medo, como o medo da morte, do desconhecido, do novo, está ligado ao medo do inconsciente. O inconsciente, como a Grande Mãe, é a fonte primordial da criação, mas se o fascínio dela for forte demais, ela é o poder oculto que, em certas ocasiões, impede o livre desenvolvimento da comunicação normal. Mas, se encararmos essa realidade básica, podemos desistir de sermos tão agradáveis aos imperativos ideais do mundo patriarcal e atingirmos uma base sólida, de onde tudo isso parece irrelevante.
A DIFUSÃO DA DEUSA NEGRA
Dos tempos pré-históricos, em torno de trinta mil anos antes da era cristã, provém a Vênus negra de Lespugue, entalhada numa presa de mamute, agora preservada no Musée de l"Homme, em Paris. Por ser anterior a uma época em que não existia conhecimento algum de agricultura, ela é mais do que Terra, ela é a própria Vida.
Em Tindari, na costa do Mediterrâneo no leste da Sicília, uma estátua negra da Nossa Senhora possui a inscrição: "nigra sum sed formoso", ou seja, "Sou negra, porém formosa",do Cântico de Salomão 1,5. A Virgem Negra também é encontrada na França, na Espanha, na Suíça e na Polônia
Não poderia portanto ser essa Nossa Senhora negra a mais antiga das imagens da Deusa?
Há historiadores que postulam que da figura da Deusa Negra procedem todas as demais.Apesar de que a humanidade surgiu no noroeste da África, é possível que os temas dominantes que se repetem nos mitos e nos rituais de todo o mundo só se desenvolveram quando os povoadores já haviam trasladado à outras regiões.
Historiadores negros do século XX, como John G. Jackson, afirmam que os povos africanos da costa foram consumados marinheiros e exploradores que levaram à Ásia, Europa, América e Oceania a cultura matriarcal da Deusa. Portanto, as virgens negras presentes na Europa, que são interpretadas como representantes da "lua escura" ou ainda, uma "escura faceta" psicológica da Deusa, não são mais do que vestígios da época em a Deusa era realmente negra.
É inegável a vastíssima contribuição da cultura africana na cultura, na religião e nos costumes aqui do Brasil. Nada mais fácil sentir esse contribuição no que tange as religiões que hoje são afro-brasileiras. Deusas como Iemanjá, Iansã, Oxum, Nanã entre muitas outras também importantes, são muito populares em nosso meio, mas sempre é bom acrescentarmos um pouco mais de conhecimento sobre elas.
Sem nos atermos em questionamentos religiosos, essas Deusas Mães, estão presentes e ativas em nossas vidas, para não nos deixar esquecer que o melhor dos caminhos é o do coração e o da fé. Todas elas simbolizam a força maior, a fagulha divina dentro de nós, a energia que flui nos próprios processos da vida e do viver. Esse conceito da Deusa como processo de vida conduz a outro aspecto da espiritualidade feminina contemporânea, observado entre muitos grupos e indivíduos. Trata-se do sentido da conexão direta com a vida. Muitos são os que pensam que não estamos no topo da natureza, e sim, "somos" a natureza. Esse senso de Unidade, aflora constantemente em conversas e escritos. Isso nos ajuda a compreender que aquilo que poderíamos considerar simplesmente como compaixão ou apoio ou simpatia é o resultado do sentir, intuitivo, dessa ligação direta com a unidade. Essa sensação de Unidade com toda a vida leva muitas mulheres, de forma bastante natural, a uma compreensão direta do motivo pelo qual o sexismo, o racismo e outros "ismos" que criam uma sensação de separação, de "nós e os outros", realmente não fazem sentido.
OUTROS DADOS
Dia: sábado;
Data: 26 de julho
Sincretismo: Nossa Senhora Santana
Cor: branco com traços azuis ou roxos;
Partes do corpo: protege a barriga, o útero, a parte genital feminina, protege as mulheres gestantes;
Comida: Mugunzá; Ebô
Símbolo: Ìbírí (feixe de nervura de dendezeiro envolto, que carrega na mão, com uma das pontas voltadas para baixo, simbolizando a vida que retorna).
Saudação: Salubá Nanã! ! ("Dona do pote da Terra!")
Comando da falange de Nanã: Cabocla Janaína
Representação no ponto riscado: uma cruz
Amalá: caruru sem azeite e bem temperado
Planeta regente: Lua (no quarto crescente) e Mercúrio
Ervas para banho e defumação: agapanto lilás, avenca, cipreste, manacá, quaresma, alfavaca, mariazinha, mãe-boa, sempre-viva roxa, erva de passarinho, cajá, mutamba, dama da noite, entre outras.
Flores: as que tenham preferencialmente a tonalidade lilás ou roxa.
Frutos: melão, melancia, abacaxi, banana da terra, graviola, pêssego, , jaca, maçã, entre outras.
Bebidas: Água da chuva, suco das frutas acima mencionadas, bebida feita com ervas e folhas do próprio orixá e champanha.
Local preferido: Nas nuvens ou na junção das águas da chuva com o solo barrento e pantanoso.
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