segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

os orixás e seus fundamentos

 
 
 
Origens

No período da escravidão, os escravistas eram interessados exclusivamente na força de trabalho do africano, mas nos porões dos navios negreiros, além de músculos, vinham ideias, sentimentos, tradições, mentalidades, hábitos alimentares, rituais, canções, crenças religiosas, formas de ver a vida, e o que é mais incrível, o africano levava tudo dentro de sua alma, pois não lhe era permitido carregar seus pertences.

Da Nigéria e do Benin vieram as principais raízes dos cultos afro-brasileiros, o Candomblé da Bahia, o Xangô de Pernambuco, o Tambor de Mina do Maranhão e o Batuque do Rio Grande do Sul, os quais possuem fortes vínculos de origem com as crenças religiosas dos povos de língua iorubá e fon.

Em Ouida, onde ficava um dos grandes portos de embarque de escravos, os negros percorriam um caminho de cinco quilômetros da cidade até o porto. Neste percurso todo escravo que era embarcado, eram obrigados a dar voltas em torno de uma árvore. A árvore do esquecimento.

Os escravos homens deviam dar nove voltas em torno dela. As mulheres sete voltas. Depois disso supunha-se que os escravos perdiam a memória e esqueciam seu passado, suas origens e sua identidade cultural, para se tornarem seres sem nenhuma vontade de reagir ou se rebelar.


Mas, o escravo não esquecia nada, porque quando chegou aqui recriou suas divindades. Conseguiu refazer tudo aquilo que ficou para traz. Hoje, nos diversos estados brasileiros se tem verdadeiras ilhas de África, pois se mantém muito vivas as tradições religiosas iorubá e jêje. Devido à multiplicidade nas origens, a estruturação e a prática dos rituais tomaram formas diferentes em cada região do país.

No Batuque do Rio Grande do Sul, também, os religiosos pertencem a nações diversas, portanto, possuem tradições diferentes. Todavia, a influência da nação Ijexá é grande no conjunto dos rituais africanos executados nos terreiros de origem Jêje, Oyó e Cabinda.


Orixás
Orixás, regentes do mundo terrestre com várias definições a seu respeito, mas em princípio os Orixás são divindades intermediárias entre o Deus Supremo, Olorum, e o mundo terrestre. Foram encarregados de administrar a criação e a continuidade da vida na terra.

Os Orixás se comunicam com os seres humanos através de vistosos e complexos rituais. As estórias de cada um são conhecidas através das rezas (cânticos), suas comidas, no ritmo de seus toques, nas suas cores e seu domínio em determinadas forças da natureza.

Os Orixás estão subordinados a um Deus Supremo chamado Olorum ou Olodumare, mas não há nenhum culto ou altar dirigido diretamente à ele, o contato é feito através dos Orixás, seus intermediários.

Nossa tradição guarda o axé (força) de cada Orixá em um Okutá (pedra) que é colocada em uma vasilha junto a outras “ferramentas”, que ficam sob a guarda do babalorixá ou Yalorixá; mas a força maior está solta na natureza, apenas parte dela, simbolicamente fica no Okutá.

Nas cerimônias para convocar os Orixás, tradicionalmente, é através de cantos acompanhados com o toque dos tambores, com ritmos identificados para cada divindade.

As cerimônias são diversas, são ofertados presentes, comidas diferentes para cada um e sacrifícios que envolvem animais de quatro pés e aves; tirando a parte dos Orixás toda carne é consumida pelos participantes e membros da comunidade. Aos orixás rogam-se proteção, saúde, paz, em fim, pedidos específicos às necessidades de cada um em particular.


Os Orixás intercedem de acordo com o domínio que cada um exerce sua influência no aspecto da vida, como por exemplo, Bará para abrir os caminhos, Xangô para justiça, Oxum para fertilidade e assim por diante.

É magnífico poder escrever sobre a religião africana, mas há rituais muito particulares, nos quais alguns praticantes, não estão se preocupando em guardar o segredo, alguns estão colocando em público, rituais que os antigos levariam anos, até passarem para aqueles que mostravam sigilo absoluto, e que guardariam para confidenciar apenas aos seguidores de merecimento. Todas as religiões importantes do mundo doutrinam e ensinam, mas os maiores segredos um mestre só passa para outro mestre.

Existem aspectos cerimoniais que regulam o relacionamento dos serem humanos com as divindades. As regras são muitas, numa espécie de quebra cabeças, com começo, meio e fim, montado com interpretações simbólicas dos mitos que envolvem os orixás, e constituem uma grande rede interligada de deveres e direitos, obrigações e possibilidades, extremamente complexa e cheia de nuanças, inclusive possibilitando diversas variações que só quem é do meio pode saber e executar. A forma organizada na África deve ser perpetuada. Não temos o direito de mudar algo estabelecido a séculos, mesmo que queiram rotular nossos rituais de primitivos e ultrapassados, temos que procurar manter a força espiritual que envolve nossa religião, esta poderosa raiz deixada por nossos ancestrais.

Um caminho que nos faz ter contato com os orixás é através da incorporação; este é o processo pelo qual a entidade se manifesta em seu filho(a) que passou pelos mais diversos rituais de iniciação. Contudo há casos de incorporação de não iniciados. É possível uma pessoa estar assistindo um ritual pela primeira vez e se identificar com as forças espirituais energéticas referentes ao seu orixá, e ter esta manifestação espontânea.


Na maior parte, a manifestação dos orixás acontece em dias de festas. No batuque, nestas ocasiões, podemos falar; pedir auxílio, consultar, abraçar e ser abraçado por eles; em fim pode-se ter um contato direto com os orixás. Uma característica específica que diferencia o batuque das demais religiões afro-brasileiras é o fato do iniciado não saber, em hipótese alguma, que é incorporado pelo orixá. Esta peculiaridade provém de longínquas aldeias do interior da África, e faz parte dos rituais desde o início da estruturação da religião no Estado do Rio Grande do Sul a mais de duzentos anos.

Outro caminho que nos leva aos Orixás são os Búzios. A cerimônia do jogo dos Búzios é o instrumento usado no dia a dia para consulta aos Orixás. Através dele podemos receber orientações, conselhos e advertências.

Os Orixás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul são: Bará, Ogum, Oyá ou Iansã, Xangô, Ibêji, Odé, Otim, Obá, Ossãe, Xapanã, Oxum, Yemanjá e Oxalá.

BARA
Mensageiro divino, guardião dos templos, casas e cidades. É o dono de todas as portas, de todas as chaves e de todos os caminhos. É reverenciado em primeiro lugar em todos os terreiros de nação africana. Recebe suas oferendas nas encruzilhadas.

Se estiver atrapalhado, sem emprego, sem rumo, ou deseja realizar qualquer tipo de negócio se apegue com este Orixá, o Bará pode te dar a solução.

Não existe nenhum terreiro de tradição africana que não tenha o assentamento do Bará. Ele é o princípio e o fim de tudo, até após a morte de um iniciado na religião, o primeiro a receber ritual é o Bará.

Bará em Yorubá quer dizer força; se for bem tratado reage favoravelmente em prol de quem lhe oferendou. Olorum concedeu ao Bará o privilégio de receber as oferendas em primeiro lugar. Sem ele nossas orações não seriam ouvidas por nenhum outro Orixá, nem mesmo no orum.

O dia da semana consagrado ao Bará é a segunda-feira, sua cor principal é o vermelho.

Os Barás cultuados no Batuque do Rio Grande do Sul são:

BARÁ LODÊ: Exu Lodê tem seu assentamento feito do lado de fora do templo. Divide sua morada com Ogum Avagãn. É o Orixá que mantém a estrutura do templo; a sustentação dos terreiros depende do Bará Lodê.

BARÁ ADAGUE: Recebe suas oferendas nas encruzilhadas; seu assentamento é feito dentro do templo; é um dos mais requisitados, pois faz a frente de Ogum, Oyá, Xangô, Odé, Otim, Obá, Ossãe e Xapanã.

BARÁ LANÃ: Trabalha nos cruzeiros (encruzilhadas). Tem as mesmas atribuições do Bará Adague. Responde também nos cruzeiros de mato.

BARÁ AJELÚ: Este é o exu que faz a frente dos Orixás de água, Oxum, Yemanjá e Oxalá.

Além do epô (azeite de dendê) usa-se mel nas suas oferendas.

Ogum
Ogum é uma antiga divindade yorubá, senhor da guerra e do ferro; privilegiado com o dom de dominar os metais. Foi um dos primeiros Orixás a descer para a terra e encontrar habitação adequada para os humanos no futuro. Trabalhava dia e noite em sua forja para servir todos os humanos. Suas mãos hábeis transformaram tudo que foi colocado diante dele. Sua capacidade de criar surpreendeu os outros Orixás. Ogum também é ligado à agricultura, mas no Brasil é mais conhecido com deus dos guerreiros.

Ogum é a figura que se repete em quase todas as formas conhecidas de mitologia universal; é um dos mais cultuados especialmente por ser associado à luta, à conquista; assim como Bará é a figura mais próxima dos seres humanos que o invocam para vencer a constante luta cotidiana na terra.

Ogum, além de ser deus da metalurgia e da tecnologia, é o patrono da força produtiva que retrabalha a natureza, que transforma através do calor e das repetidas batidas um mineral bruto (ferro) no aço laminado e suas manifestações práticas (lança, escudo etc.), aplicadas por extensão, a qualquer transformação que o homem provoca na natureza para deixá-la, produtivamente, à sua disposição.


Ogum é considerado protetor de todos os guerreiros, e sua relação com os militares tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, o santo guerreiro católico, associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo yorubá.

Enquanto Xangô julga o certo e o errado depois do fato consumado, Ogum é empreendedor e decidido, é o que faz justiça com as próprias mãos, jamais deixando para outro o que julga ser um problema seu. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo. Quando apaixonado, sua sexualidade é devastadora, que não se contenta em esperar e nem aceita rejeição.

Fora da guerra, é um Orixá da alegria, da diversão, da delícia de viver, especialmente do contato com os amigos e camaradas etc.

No Rio Grande do Sul cultuamos várias qualidades de Ogum, entre eles estão o Ogum Avagãn, que tem seu assentamento junto com o Bará Lodê, e seus otás ficam do lado de fora do templo em uma casa individual; Ogum Onira ou onirê, que seria o rei da cidade de Irê; e Ogum Adiolà, que faz companhia aos Orixás de água, Oxum, Yemanjá e Oxalá.

Todos Babalorixás e Yalorixás têm que ter o assentamento de Ogum em seu terreiro, pois sem ele não poderiam fazer uso do axé de obé (faca) em seus rituais. Suas cores são o vermelho e verde, porém, alguns sacerdotes da antiguidade usavam também o azul marinho em seus fios de contas. O dia de Ogum é quinta-feira, e o sincretismo é com São Jorge.

Oya / Iansã
Oyá é a primeira entidade feminina a surgir nas cerimônias. Esposa de Ogum, largou-o quando se deixou fascinar pelo magnetismo de Xangô. Nesse ponto as lendas se dividem. Algumas atribuem à Iansã uma imensa e terrível paixão por Xangô, sentimento este que se manifesta através de sua eterna presença ao lado dele. Dado o seu caráter extrovertido, Iansã permanecia ao lado de Xangô não só no dia-a-dia cotidiano, mas também nas guerras, nas caçadas e qualquer outra situação. Há diversas lendas a respeito deste triangulo amoroso mais conhecido do batuque, de qualquer forma, a paixão de Ogum por Iansã sobreviveu à separação. De acordo com as diferentes interpretações, tornaram-se inimigos de morte por causa disso. Os duelos entre Ogum e Oyá constituem uma das cerimônias coreográficas mais bonitas dos terreiros brasileiros.

Além de Xangô, Oyá é o único orixá que não teme os Eguns, é a guardiã do reino entre a vida e a morte, é ela quem dá assistência na transição final; ela pode reter o espírito da morte ou chamá-lo adiante, ela é o último suspiro. Oyá rege os cemitérios e os mortos.

Ninguém quer enfrentar Iansã numa batalha por que ela é tão feroz e astuta como qualquer homem, nem um outro Orixá quer lidar com a ira de Oyá. Não há receios à Oyá, exceto Xangô.

Ela é conhecida por sua inteligência, independência, coragem, graça, sensualidade, poder e paixão intensa.
É dito e conhecido que Oyá é muito leal aos seus filhos e perigosa para seus inimigos. Ela pode vir tão suave e fresca como uma brisa de verão ou violenta e cruel como um furacão e causar devastação total em seu mundo.

Olorum deu à Oyá a responsabilidade a responsabilidade de limpar a atmosfera ao redor do planeta e proporcionar o equilíbrio de gases para sustentar toda forma de vida.

Embora Oyá seja forte e guerreira brilhante, ela também é bonita e elegante. Ela gosta do calor da batalha, tanto como Xangô, mas nunca perde sua feminilidade. Seu sincretismo é com Santa Bárbara; seus dias da semana são terça e quinta-feira e suas cores são o vermelho e o branco. 
 
qualidades de Odé mais cultuadas no candomblé ketu
Akueran é um Odé que quando bem fundamentado, traz muita prosperidade, tanto para a iyawo, quanto para o ile axe.

Dana Dana é um Odé difícil de lidar, e por isso muitos Sacerdotes não gostam de iniciar pessoas deste Orixá.

Isambo caminha com Omolu.

Onikunle é um Odé das montanhas.

Aberunja é um pescador.

Kare tem uma forte ligação com Oxun e toda sua fundamentação caminha nesse sentido.

Inle/Ibualamo, para alguns axés são qualidades diferentes de Odé, para outros são o mesmo Orixá.


ODÉ INLE-Na África, Erinle tinha o seu próprio culto. No Brasil, Erinle foi incorporado ao culto de Oxossi.assim como ibualamo 
 
SOBRE ODÚ OBARÁ
importante comentário sobre o Odu Obara.

Obará é o Odu onde nasceu a vida humana e espiritual.
É por este Odu que podemos compreender melhor os assentamentos de Orixás.

Obara quer dizer: "rei do corpo"(físico e espiritual).

Um Assentamento só pode ser feito através de um de um ritual, que envolve uma grande variedade de materiais, folhas, rezas, animais... tudo ligado ao fenômeno da natureza que se quer Assentar, ou
seja: tudo ligado ao Orixá que se quer assentar.

O Orixá, vendo e gostando daquilo que está sendo feito no ritual, vai se aproximando e tomando "vida". Ficando aquele assentamento(que representa o "corpo" do Orixá), impregnado com a sua essência.

Portanto, assentar um Orixá é dominar um fenômeno da natureza, para que nos traga benefícios através dos presentes que lhe são ofertados, para que nos traga: equilíbrio, vida longa, prosperidade, felicidade,
filhos, vitórias... Enfim, as coisas boas da vida. 
 
oxossi não come a cabeça dos bichos
O Ori(cabeça) dos animais de Oxossi são um Ewo, uma interdição desse Orixá.
Oxossi não come a cabeça dos bichos!

Vamos descrever o mito que explica por quê não se oferece o Ori(cabeça) dos bichos à Oxossi.

Comemorando uma caçada vitoriosa, Oxossi deu uma grande festa. Matou um boi e colocou a cabeça na porta do palácio.

Todos os Orixás se faziam presentes na grande festa; Oxum com sua faceirice encantava a todos; Yemanjá com sua elegância, coberta de jóias; Xangô dançava freneticamente ao som dos tambores...

Os bandidos da aldeia vizinha souberam da grande festa dada por Oxossi, e se puseram à espreita, aguardando o momento certo para saquear o palácio.

Avançaram, mas quando chegaram na entrada do Palácio, a cabeça do boi mugiu, avisando a presença dos inimigos, os quais foram imediatamente pegos e mortos, ficando o palácio salvo do saque.

Desse dia em diante, Oxossi exigiu que não se oferecesse cabeças em seus rituais. E em consideração passou a cultuar o boi como um animal sagrado.

Apenas uma qualidade de Oxossi aceita a cabeça do boi. 
 Tanto no culto africano, quanto no
candomblé, a palavra tem grande importância e poder.

A cultura Yorubá é realmente fantástica! As palavras, cantadas ou faladas, impulsionam o Axé.


Ressaltamos porém, que Eshu é capaz de entender qualquer idioma. Mas devemos reconhecer as pérolas que nos
foram trazidas pelos africanos no idioma Yorubá: orins, adurás, gbadurás, orikis e ofós.


Se entendemos o que estamos cantando, rezando ou falando, fica mais fácil aprender o nosso Culto.

Além de podermos sincronizar melhor o nosso sentimento, e desta forma, impulsionar com mais força o Axé do ritual que está sendo feito.

Assim, com certeza, os bons resultados virão mais rápido. 
 
yansã-oyá
Yansan é uma Iyagba que dependendo da sua qualidade
irá se ligar a diferentes elementos da natureza.
Apresentando com isto, diferenças marcantes na forma
de Cultuá-la, inclusive em seus toques e danças.

Oya Onira, por exemplo, é um caminho de Oya que come dentro da água. Este é um fundamento muito importante dessa poderosa Iyagba.

Fazer os fundamentos específicos de cada caminho de
Oya é muito importante, para que possamos com segurança atrair toda a sua positividade. Tanto para a Iyawo, como para o Ilê Axé.


O JOGO DE BÚZIOS
Seguindo em frente: a única forma de se comunicar com os Orixás é através de Ifá.

No Brasil o Jogo de Búzios é o mais utilizado pelos Sarcedotes de Orixás do Candomblé, para estabelecer uma espécie de conversa com as Divindades.

Muitos dizem que pelo arquétipo ou através de cálculos matemáticos é possivel confirmar o Orixá de uma pessoa.
Mas a única forma de confirmar Orixá é através do Jogo de Búzios, é através de Ifá.

Os arquétipos de Orixás e as características que eles imprimem em seus filhos, foi trazida para o Brasil por Pierre Verger.

Realmente o Orixá imprime sua marca no filho.

Mas o Orixá tem as suas características mudadas, de acordo com o Odu que ele vem.


E aí a coisa se complica e pode levar a um erro. Temos sempre que considerar o Odu que o Orixá vem.

Um mesmo Orixá pode apresentar caracterícas bem diferentes, pelo fato de virem por Odus diferentes.

CULTUANDO O ORIXÁ
Para cultuar um Orixá, uma Energia da Natureza, épreciso saber as rezas, as cantigas, os orôs, os ebós... e os objetos utilizados para o culto daquele Orixá.

Melhor ainda, é saber o significado que cada objeto utilizado representa dentro do culto.

Ha um Mito, até bem conhecido, onde Yansan assume duas formas: uma "humana" e outra "animal". Sendo esta outra forma(animal), um outro Poder de Yansan.

Mas aí, você me diz que não está entendendo. Então, eu vou explicar melhor.

Quando cultuamos um Orixá, tudo é feito com o objetivo de agradar aquele Orixá, para que ele goste do que está sendo feito, para que ele chegue e para que ele retribua
com positividades.

E você diz: mas , e o Mito? O que é que o Mito tem haver com isso?

Vamos lá: são através dos Mitos que conhecemos osfeitos e as características de um Orixá, ou seja: são através dos Mitos que conhecemos e entendemos importantes fundamentos de um Orixá.

O Mito a que me referi e que mostra o poder que Yansan tem de se transformar, nos revela um objeto de grande fundamento no Culto de Yansan: os chifres de búfalo.

Os Chifres de Búfalo não podem ou não devem faltar no Culto de Yansan. Os Chifres de Búfalo representam o seu Duplo Poder. 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 11 de dezembro de 2011

O CANDOMBLÉ

Inicialmente,
o culto às entidades africanas era chamado de Calundu e fortemente
reprimido pelas autoridades do Império. No Recôncavo Baiano,
especialmente em Cachoeira e São Félix, o Candomblé já tinha como
característica o culto aos Vodun. Nesta área, o culto aos Vodun foi
denominado Ventura, pois as próprias vodunsis chamavam suas entidades de
vento. Segundo aquelas vodunsis, quando o vodun iria tomar o corpo de
alguém, este vodun antes balançava os galhos de seus Atin-sá (árvores
sagradas de cada vodun). Por causa disto, a principal casa de culto aos
Vodun localizada em Cachoeira, o Seja Hunde é conhecida como Roça do
Ventura. O lugar onde as pessoas recebem um Vento Sagrado.
No culto do
Candomblé acontece uma mistura de idiomas, não existindo exclusividade
desta ou daquela nação. É comum aos iniciados, independente de seus
seguimentos, se denominarem "vodun-si". Sendo esta palavra de origem
ewe-fon, somente deveria ser empregadas aos iniciados da nação Jeje, ou
ainda, usar o termo iyawo, para denominar um iniciando de qualquer
etnia, quando esta palavra pertence ao vocabulário ioruba (Ketu) e quer
dizer esposa do orixá, e por fim, usar "maianga" denominando banho, mas
esta palavra é de origem banto (angola), e, por isso, deveria ser usada
apenas nas casas de Nação Angola.
O
sincretismo entre estas três etnias é perfeitamente aceito, por se
tratar de povos de origens semelhantes, sendo separados apenas por seus
idiomas e alguns aspectos de suas culturas. O que é inaceitável e
desnecessário nos dias de hoje é o sincretismo com os santos da Igreja
Católica, que distorcem todo o sentido dessas culturas. Classificando
Exú, como diabo, Oyá como Santa Bárbara, Ògún como São Jorge, etc.,
quando não há muita das vezes, se quer, alguma correspondência entre
eles, além de terem tempos históricos completamente incompatíveis.
O candomblé
brasileiro, da maneira que é pregado, como religião, tem origem nas
senzalas das grandes fazendas, onde os negros de etnias diferentes
cultuavam suas entidades fazendo o sincretismo entre estas, formando
assim um novo culto, coletivo, onde todas as entidades eram louvadas. É
um culto à natureza e que visa à integração do homem com o meio
ambiente, buscando o encontro consigo mesmo para então, conseguir
realizar os seus desejos, através do seu próprio entendimento.
Segundo se
sabe, na África cada cidade ou aldeia possui, ou possuía um orixá
patrono, sendo este o dono da terra e o único adorado entre todos os
moradores daquela localidade. No Brasil, o culto é coletivo onde são
cultuadas várias entidades e ainda os ancestrais, que recebem um culto à
parte. Enquanto na África, muitos cultos são feitos ao ar livre, no
Brasil, por questões históricas e sociais, o culto se realiza em um
espaço sagrado, o terreiro ou roça e na maioria das vezes, as cerimônias
são restritas aos adeptos. Essa forma brasileira de culto é o resultado
da resistência negra diante da sua situação social no Brasil.
Por se
tratar de uma religião iniciática, o adepto está sempre se iniciando a
uma nova fase dentro do culto, o que implica em novos aprendizados e uma
nova postura diante das pessoas e coisas. Por isso só participam de
determinadas cerimônias, aqueles devidamente qualificados.
É
necessário um espaço apropriado que deverá ser preparado para que, a
partir de então, passe a possuir a força que emana de todos os elementos
da natureza que tenham adoração no culto. Essa força é chamada de Axé,
palavra que possui várias interpretações, todas significando coisas
boas, força e poder.
A religião
afro-brasileira é a expressão e a procura constante da harmonia entre os
homens e entre os diversos domínios da natureza e da existência cósmica
e humana. Candomblé não é folclore, nem apenas religião ou ideologia,
nem tão pouco espiritismo. Trata-se de sociedade, de comunidades com
vida própria. Um terreiro de candomblé tem sua comunidade, seu pedaço de
terra, suas técnicas tradicionais de trabalho, seu sistema de
distribuição e de consumo de bens, sua organização social, bem como seu
mundo de representação e simbolismo.
Os cultos africanos nascem de um só homem, MOHAD MAD POSSOLINE, um árabe
que sai da Arábia Saudita com sua crenças baseadas nas árabes e
Egípcias, aporta nas Ilhas de Madagascar e joga seu primeiro
MERIDELOGUN, nascendo ai o Culto Lesse Ifá que, posteriormente, irá dar
origem ao culto Lesse Orixá.

Aqui no Brasil o culto chega através
dos primeiros escravos provindos da Serra Leoa, esses de origem Banto,
chegam na época da economia canavieira, época em que tiveram grandes
dificuldades de difundir sua cultura e crença devido ao grande
sacrifício que era exigido nas suas mão de obra.

O segundo grupo a
chegar foi os Nagos, esses chegaram na época da mineração, época que
não exigia tanto sacrifícios nas mão de obra. Esses eram aproveitados
nas casas grandes tendo tinham em seus afazeres ser acompanhantes,
cozinheiros, jardineiros etc já lhe sobravam tempo para discutir,
difundir e organizar suas culturas e crenças.

o terceiro e últimos fora os Ewe e Fon.


Até
aqui o candomblé ainda não existia, o candomblé nada mais é do que a
reunião de todos os cultos chegados ao Brasil de várias cidades e aqui
praticados em uma só casa.

Até a primeira metade do século XIX existiam duas vertentes para os negros:

A masculina representada pela Irmandade do Nosso Senhor da Boa Morte e

a feminina, representada pela Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte.

Já existia, nessa época, as casas que louvavam os deuses africanos, claro que sempre escondidas da religião oficial


sábado, 10 de dezembro de 2011


O RITUAL DO GRÁ


Hum dos rituais mais importantes praticados dentro da nação jeje a muitos anos atrás e que hoje está praticamente extinto por falta de condies e espaço apropriado para sua realização é o ritual do grá

Dentro do culto djèdjè, talvez esse seja o assunto mais complexo e misterioso de todos. Sabemos que nossos ancestrais levaram grande parte da cultura junto com eles para seus túmulos e, são poucos os conhecimentos que nos foram passados. Por este motivo, são poucas as casas que realizam o ritual do Grá aqui no Brasil, passando o Grá a ser apenas um mito, contado pelos mais antigos e que meche com nossa imaginação sobre a natureza de tal espírito.

O Grá é um espírito primitivo, o nosso Neandertal interior, que é invocado antes de sermos iniciados com o propósito de nos fazer voltar ao passado, ao lado animal e irracional que habita todo ser humano e que de fato é nossa origem. O Grá é como se fosse o lado negativo do Vòdún, a parte bruta da divindade, sua fúria e ira. Após o ritual do gbòlònàn (onde o inciado “morre para a sociedade” e “nasce para o vòdún”), o Grá é chamado com intuito de relembrar para o vodunsi suas origens, onde era necessário caçar pra comer, riscar pedras pra produzir fogo, andar por dias até encontrar água, etc. O Grá lembra ao vodunsi seu lado animal e primitivo, onde se solta esse espírito manifestado dentro das matas ou antigamente dentro do humpayme (fazenda grande onde ficava localizada a roça de santo e seus atinsás), e durante alguns dias ele deve se alimentar de caça, frutos e folhas, matar sua sede com água de córregos e rios e seu objetivo maior é matar seu zelador, matar aquele que irá iniciar a vodunsi e que guardará para sempre esse lado primitivo e irracional dentro do subconsciente do mesmo.

O Grá anda armado apenas com um bastão ou pedaço de pau e fica sempre na caça de seu zelador que durante o período que o Grá estiver manifestado deve ficar escondido. É um espírito incontrolável e agressivo, que assusta a todos que participam do culto, querendo atacar as pessoas com seu bastão. Após os dias de manifestação do Grá, chega finalmente o dia do encontro entre o espírito e seu zelador. Ao som de paó e adahun o Grá entra pela porta principal do kwè e se deparara com seu zelador, partindo pra cima do mesmo para agredi-lo porém, é dominado pelos ògàns e vodunsis mais velhos e expulso pra sempre do vodunsi, deixando o corpo limpo e preparado para a manifestação e iniciação do vodun.

Hoje em dia é quase que impossível realizar tal ritual, uma vez que nos falta cultura e até mesmo espaço para deixar-mos o Grá a solta. Mas, certamente, para nós esse ritual faz falta deixando um vazio no que se diz repeito a origens e, curiosos em relação a tal espírito que hoje em dia continua preso, apenas em nosso subconsciente.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


VODUN DANGBÉ

O Dangbé é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Na África esse Vodum é conhecido como DA. Dada – Termo pelo qual o Vodum Dan é louvado. A coroa de Dan é chamada de Coroa de Dada. Dangbê – É a píton sagrada, cultuada sobretudo em Uidá, no Benin, onde seu convento principal fica em frente a catedral católica romana.
Não pode se confundir com Dan. Enquanto Dan é associado às serpentes em geral, Dangbê é representado pela inofensiva píton real. A píton é, aliás, considerada como morada do próprio vodun. Enquanto Dan possui aspectos masculinos e femininos em separado, Dangbê é simultaneamente macho e fêmea. Mas da mesma forma que Dan, também Dangbê é associado ao arco-íris. Dizem que o culto de Dangbê é originário da província Hwedá, no litoral ao sul de Uidá, e que ele saiu diretamente do próprio mar, sendo considerado filho de Hu, o oceano imutável e misterioso que a tudo circunda. Dangbê rege a imortalidade, a duração das coisas, a preservação da vida, e seus iniciados, os dangbesì falam em dialeto hwedá durante o período de reclusão no hunkpame. Uma tradição conta que foi Dangbê quem “abriu os olhos dos homens”, mas se desconfia que essa afirmação pode ter nascido com a introdução da tradição bíblica, que trata do papel da serpente no Jardim do Éden. O centro de seu culto era Savi, onde era cultuado como o tóhwyó (ancestral mítico divinizado) da família real hwedá reinante, sendo também, portanto, um henu-vodun. Quando o Reino do Daomé conquistou o reino hwedá em 1727, o culto de Dangbê foi transferido de Savi para Uidá. Os fon classificam quatro sub-espécies de píton, cada uma cultuada em um hunkpame diferente de Uidá. * Na Diáspora, tanto no Vodu do Haiti, como no Candomblé Jêje, Dan e Dangbê parecem haver se fundido em uma única entidade.
Os cargos de Ogans numa casa de Jeje:
      Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados:
Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = "altar sagrado" e Gan = "senhor". O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e Lé são Jeje. No Ketu, os atabaques são chamados de Ilú.e na angola são chamados de n'goma. podemos ver que a nação jeje  é muito particular  em suas propriedades.é uma nação que vive de forma independente em seus cultos e tradições de raízes profindas em solo africano e trazida de forma fiel pelos negros ao brasil.

MITOLOGIA AFRICANA

A MITOLOGIA AFRICANA
A mitologia, tanto a européia como as de outras tradições, aborda instintos humanos (como o poder do amor, do ciúme, da ansiedade; o conflito de gerações; a violência; a tristeza da doença e dos sinistros; o mistério da morte; o desafio do desconhecido; os tempos de má e boa fortuna e todo o peso do destino). Contos de homens e deuses retratam os reveses e as alegrias da vida.
Nietzsche observou que os gregos ofereciam festas a todas as suas paixões e inclinações; eles consideravam como divino tudo que tem algum poder no homem; o cristianismo jamais compreendeu esse mundo pagão e sempre o combateu e o desprezou.
A mitologia européia é interpretada hoje sem restrição. Mas há restrição quando falamos em mitologia africana, certamente porque a relacionamos com o culto aos orixás (candomblé e umbanda), ainda vivo na África e no Brasil.
Devemos deixar de lado o aspecto religioso e conhecer a beleza e a riqueza da cultura africana, na qual se inclui a sua mitologia e sua arte. Os principais produtos artísticos africanos são as máscaras e as esculturas em madeira, as quais, para os membros da sociedade africana, constituíam objetos sagrados com poderes sobrenaturais: acreditavam que poderiam atrair a destruição ou distribuir bençãos.
As máscaras e as esculturas em madeira têm forma angulosa, assimétrica e distorcida; uma forma não-realista, obviamente para expressar, com efeito dramático, que os objetos abrigam espíritos poderosos; nada de aparência real, mas formas verticais e membros do corpo alongados.
Pablo Picasso conheceu, por volta de 1905, a arte africana, a qual muito o atraiu, principalmente pela sua independência da tradição européia. Disse Picasso sobre as máscaras africanas: "Senti que eram muito importantes ... As máscaras não eram apenas peças esculpidas ... Eram magia".
A arte africana inspirou Picasso a criar o movimento cubista, o qual recebeu a influência das distorções do entalhe africano, destinadas a mostrar simultaneamente aspectos múltiplos de um objeto. As técnicas cubistas expressam intensas emoções e conflitos internos. O quadro Les Demoiselles d'Avignon representa o ponto de transição da fase de influência africana para o puro Cubismo; esse quadro é uma obra de ruptura (encerrou o reinado de quase quinhentos anos da Renascença), uma das poucas obras que, sozinha, alterou o curso da arte; os cinco nus do referido quadro têm anotomia indistinta, olhos tortos, orelhas deformadas e membros deslocados.
As máscaras não eram apenas peças esculpidas ... Eram magia. Esse sentimento de magia, manifestado por Picasso, nos lembra recente ensinamento de Desmond Morris, autor de "O Macaco Nu", um dos maiores especialistas em comportamento humano e fabricante de amuletos. A revista Superinteressante perguntou-lhe: Não é contraditório que um cientista faça esse tipo de jóias? Você crê no poder desses objetos?
Respondeu Desmond: Claro que não. Mas creio no poder de quem os leva. Está provado que se você acredita que um objeto vai lhe ajudar e proteger, suas defesas crescem e sua energia flui com mais harmonia. Tudo está em nosso interior.
Na mitologia africana, há um deus supremo (Olodumaré), o qual criou os orixás (deuses) para governarem e supervisionarem o mundo. O orixá é uma força pura e imaterial, a qual só se torna perceptível aos seres humanos manifestando-se em um deles; o ser escolhido pelo orixá, um de seus descendentes, é chamado seu elégùn, o veículo que permite ao orixá voltar à terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram. Ainda inexiste um panteão de orixás bem hierarquizado, único e idêntico.
Quais os principais deuses (ou orixás) ou autoridades da mitologia africana ? Exu, Ogum, Oxóssi, Ossain, Orunmilá, Oranian, Xangô, Iansã, Oxum, Obá, Iemanjá, Oxumaé, Obaluaê, Nanã e Oxalá. Africanos e não africanos têm em comum tendências inatas e um comportamento geral que corresponde às características de um orixá (arquétipos).
Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas; serve de intermediário entre os homens e os deuses (chamado de mensageiro, compadre ou homem da rua); suas cores são o vermelho e o preto. Os missionários compararam Exu com o Diabo, símbolo da maldade, porque Exu é astucioso, grosseiro, vaidoso e indecente. Mas Exu possui o seu lado bom; revela-se o mais humano dos orixás, justamente porque não é completamente mau, nem completamente bom. Exu é o arquétipo das pessoas com caráter ambivalente (ao mesmo tempo boas e más), porém com inclinação para a maldade, a obscenidade e a corrupção.